A divulgação, no último dia 25, do resultado do vestibular 2007 da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) certamente desalentou a maioria dos que defendem o sistema de cotas no ensino superior. É que das 2137 vagas oferecidas, nada menos que 600 ficaram ociosas em virtude da falta de pontuação mínima para aprovação. Destas, 45% estavam dentre as reservadas para os negros e 17% dentre as reservadas para alunos oriundos de escolas públicas. Tais dados vêm apenas evidenciar o que há muito se atine: que o inócuo sistema cotista não é capaz sequer de universalizar o acesso ao ensino, quanto mais de democratizar o conhecimento e as oportunidades deste advindas.
A prova disso está no fato de que, se antes enfrentavam concorrência desleal com os bem preparados filhos da elite, hoje, com as cotas, negros e pobres não enfrentam ninguém mais do que a si próprios. A cor da pele é a mesma, o tipo de escola também, e a condição social, idem! Haveria disputa mais “leal” que esta?! O que mais os “isonomistas” querem?! Em verdade, o que as vagas ociosas vieram demonstrar é que a exclusão social no ensino superior sempre decorreu não do bom preparo de brancos e ricos, mas sim do despreparo de negros e egressos do ensino público. Afinal estes, embora concorrendo apenas entre si, foram incapazes de lograr ao menos a pontuação mínima exigida para a aprovação.
Outro aspecto que se depreende dos percentuais supracitados é o de que a política de cotas constitui, na verdade, apenas meio para a consecução de dados estatísticos falaciosos a serem usados em campanhas eleitorais, dados esses que refletiriam uma hipotética democratização do ensino superior através da participação de todas as raças e classes em seu desenvolvimento. Tais estatísticas, contudo, escamoteiam a realidade, que se obscurece pela ilusão de que a universalização do acesso ao nível superior implica, necessariamente, a universalização do ensino. Ilusão porque democratizar o ensino não significa elevar o número de matrículas de negros e pobres, mas sim fornecer condições para que os mesmos possam se manter estudando, já que muitos, embora matriculados em universidades públicas, carecem de recursos para custear moradia, livros, transporte, alimentação, etc.
Constata-se, pois, que os verdadeiros responsáveis pela exclusão social no ensino superior não são os filhos da elite que, como os vilões dos contos de fadas, roubam as vagas dos pobres. Na realidade, a culpa é dos próprios governantes, que depauperam o ensino básico ceifando dos alunos deste o direito de obterem adequada capacitação para, pelo menos, atingir a pontuação mínima nos vestibulares. Ademais, a política de cotas não se mostra meio eficaz de democratização do conhecimento, limitando-se apenas a “empurrar” para o ensino superior discentes desqualificados que, por conseguinte, rebaixam o nível acadêmico. Por fim, enquanto nossos políticos continuarem tratando a educação como trampolim eleitoral, jamais perceberemos transformações profundas em nossa estrutura social, condenado-se ao malogro qualquer perspectiva de desenvolvimento de nosso país.